sábado, 10 de janeiro de 2015

A PORTA - PARTE I

A Porta. Era como chamavam uma pequena abertura que havia atrás do prédio de uma antiga escola, a três quadras de minha casa. Aparentemente era só uma pequena abertura no chão com no máximo trinta centímetros de diâmetro e que ficava bem no meio do pátio. Qualquer um poderia facilmente pensar que aquela abertura era apenas um poço ou algo do tipo — o que provavelmente já deve ter sido —, mas aquela abertura tinha também algo muito fora do comum.
Eu não acreditava quando me falavam das histórias do poço, afinal, eu tinha meus quinze anos e era uma rebelde sem causa, desconfiava de tudo e tinha sempre questões a levantar sobre qualquer assunto. E aquele poço era o que mais me divertia no quesito discussão. Eu era contra qualquer hipótese de que havia algo sobrenatural, fora das leis que regem o universo, mas meus amigos eram obcecados por esses assuntos e defendiam com unhas e dentes de que havia sim algo fora do comum acontecendo ali perto de nós. Eu achava graça como eles discutiam com alguém ignorante no assunto, que no caso era eu, pois eu nunca havia tido contato com aquele poço ainda.
Certo dia um amigo meu, o Corey, me chamou para ir dar uma olhada no poço. Eu aceitei de imediato. Confesso que fiquei curiosa para saber o que acontecia de tão incomum naquele lugar. Queria passar pelo que quer que houvesse lá e achar uma boa explicação, aí eu poderia enfim ganhar a discussão com meus amigos e zombar deles eternamente. Numa madrugada Corey e eu fomos para a escola. Era fácil de entrar, os muros eram baixos e não havia ninguém que cuidava do local. Caminhamos alguns metros e localizamos o poço bem no centro do pátio. Era apenas um buraco comum que estava com algumas faixas ao seu redor, interditando um raio de uns três metros além do buraco. Que exagero. Pensei, me divertindo.
Corey me advertiu para não chegar muito perto, pois era perigoso. Ele contara que havia estado ali com outras pessoas e viu o que acontecia com as pessoas que passavam das faixas de interdição. Ele contou umas histórias assustadoras, mas eu não caí naquilo. 
Eu queria chegar perto, olhar para dentro daquilo, descobrir o que tinha de tão especial naquele buraco idiota. 
Deixei Corey falando sozinho e fui me aproximando. Percebi que Corey vinha me seguindo. Passei por baixo da faixa e Corey estava sempre junto a mim. Tinha certeza que a qualquer hora ele iria dar um grito para tentar me assustar. Pouco mais de dois metros de distância do poço, percebi algo estranho. Minha visão periférica, que antes enxergava a escola agora não enxergava nada. Apenas minha visão central funcionava, e estava focada naquele poço. Pensei que deveria ter sido alguma luz na rua que tinha se apagado, então com pequenos passos eu me aproximava cada vez mais. Estava com medo. Medo de que o chão embaixo de mim cedesse. Um metro e setenta de distância. Um metro e sessenta... A quase um metro e cinquenta do poço foi quando eu percebi algo notavelmente estranho. Eu estava num cenário totalmente diferente ao da escola. Podia sentir o vento que soprava ao redor da escola, mas eu não enxergava nada.
Eu estava no meio do nada. Foi quando percebi que o poço começou a brilhar. Eu me aproximei mais alguns centímetros. "Martha" Ouvi Corey me chamando, mas eu não consegui vê-lo. Girei 360° sob meus pés, mas só vi escuridão. "Você está dentro não é?" Perguntou Corey. "Eu estou te segurando" ele disse. Mas eu não sentia nada em mim. "Fica tranquila, apenas volte" ele tornou a dizer. Voltar de onde se eu estou ao seu lado?  Pensei comigo mesma. Como eu volto? Eu tentei falar, mas minha voz não saiu. "Para você voltar, apenas não exista".  
Quando Corey disse aquilo eu não soube o que pensar. Apenas não exista. Pela primeira vez me senti desconfortável, mas não quis admitir para mim mesma. Tornei a girar, mas tudo o que eu vi foi escuridão. Dei um pequeno passo para frente, mas ouvi um sussurro. Era Corey, sua voz não estava tão clara quanto antes. A luz ficou mais intensa, me atraia, me chamava para perto dela. Mas algo me dizia para não seguir naquela direção. Tentei dar um passo pra trás, mas foi quando eu fui surpreendida. 

FALHA NA LEITURA
Continuação. Em. Breve. 



Nota do autor: FALHA NA LEITURA é fruto de um devaneio de um ser humano comum.
Aqui você verá pequenas histórias de suspense - ou qualquer outra coisa que me vier a mente -, com continuações. A continuação da história estará disponível em dois dias no máximo, e se houver mais alguma continuação é assim por diante.
Comenta por favor. A sua opinião é o que nos fará continuar ou não.

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