Esta é a continuação da história "A Porta", se você ainda não viu, aqui está a Parte I.
Onde supostamente deveria estar o chão — segundo a minha percepção de espaço —, meus pés não encontraram nada. Eu me desequilibrei e cai no meio da escuridão. A queda durara longos segundos, mas o choque do meu corpo contra o chão parecera que eu havia caído de apenas alguns centímetros de altura. Fiquei em pé e olhei ao redor. Agora além da completa escuridão, também havia uma pressão no meu ouvido que me deixara sem ouvir nada.
Onde supostamente deveria estar o chão — segundo a minha percepção de espaço —, meus pés não encontraram nada. Eu me desequilibrei e cai no meio da escuridão. A queda durara longos segundos, mas o choque do meu corpo contra o chão parecera que eu havia caído de apenas alguns centímetros de altura. Fiquei em pé e olhei ao redor. Agora além da completa escuridão, também havia uma pressão no meu ouvido que me deixara sem ouvir nada.
Corey? Eu
tentei
falar. Minha boca abriu, porém eu não consegui ouvir nada. Meu ouvido
estava zunindo. Tentei falar novamente, mas
apesar de eu sentir minhas cordas vocais tremer, eu não ouvia nada. Até
que finalmente pude sentir a pressão se esvaindo, e o zunido sumindo.
Dando espaço para uma das mais estranhas experiências que o ser humano
pode passar. O silêncio absoluto.
Um barulho alto pode causar um desconforto enorme e também dores nos ouvidos, mas o silêncio absoluto, além do desconforto, também mexe com o psicológico. Eu fiquei ali imóvel sem ver, ou escutar nada durante alguns segundos. Foi então que meus ouvidos finalmente se adaptaram ao ambiente e eu consegui ouvir pequenos ruídos. A primeiro instante eram apenas pequenos barulhos aleatórios, mas em uma fração de segundo eu consegui distinguir cada um deles. Eram os barulhos dos meus órgãos. Eu podia ouvir meu coração bater num ritmo acelerado, meu pulmão inflar e se esvaziar, pude ouvir ruídos que meu estômago fazia vez ou outra, e ouvi até mesmo o pulsar do sangue em minhas veias. Cada movimento que eu fazia eu podia ouvir o barulho que os ossos, tendões e músculos fazem quando se mexem. Era um silêncio ensurdecedor. A cada segundo que passava eu podia ouvir cada vez mais nitidamente os sons que ecoavam dentro de mim.
Eu tentei falar, mas minha voz era absorvida no mesmo instante que ela se propagava. Era como se meu pensamento e minha voz fossem a mesma coisa agora. Passaram-se alguns minutos e eu já não sabia o que fazer. Estava começando a alucinar, meu corpo se transformara numa fábrica barulhenta. O barulho do coração batendo agora parecia marretadas violentas dadas numa parede, o meu pulmão inflando e esvaziando se parecia com o barulho de uma bexiga gigante se enchendo, e o pulsar do meu sangue, agora parecia grandes correntes sendo arrastadas. O alto barulho dos meus órgãos se sincronizavam numa estranha sintonia, formando uma canção aterrorizante. Eu comecei a enxergar luzes coloridas em vários formatos, como se elas dançassem no ritmo que meus órgãos tocavam. Eu já não conseguia saber se estava viva. Eu morri na queda? Estou desmaiada? Isso não pode ser real.
Enquanto aqueles barulhos soavam como uma música, eu começava a me movimentar no ritmo da canção e cantarolava algo sem sentido. Algo dentro de mim dizia pra continuar a fazer aquilo, mas algo também dizia que era insanidade. Era a minha mente tentando achar algum significado para aquela sensação bizarra. Eu cantarolava cada vez mais alto e me movimentava cada vez mais.
Uma das figuras coloridas veio até mim e estendeu-me suas mãos. Era algo indefinido, sem rosto, apenas uma forma emanando luz. Eu dancei em volta daquilo sem tocá-la e as outras figuras se aproximavam cada vez mais. A canção fora ficando mais rápida e mais alta, e eu dançava freneticamente conforme a música, até que meus pés se entrelaçaram e eu cai debruçada no chão. As figuras foram ficando borradas e sem cor. Foi então que eu lembrei do que Corey me dissera. Para voltar apenas não exista. Minha mente estava alucinando para tentar compreender o que estava se passando, pois naquele escuridão e silêncio absoluto não havia como distinguir o que era vida ou morte, o que era real e o que era apenas fruto da minha imaginação. Eu me belisquei e não senti nada. Estava confirmado, minha mente entrara num estado de alucinação profunda. Eu estava sonhando acordada. As figuras desapareceram por completo e novamente eu só enxergava a escuridão e ouvia apenas meu corpo trabalhando.
Um barulho alto pode causar um desconforto enorme e também dores nos ouvidos, mas o silêncio absoluto, além do desconforto, também mexe com o psicológico. Eu fiquei ali imóvel sem ver, ou escutar nada durante alguns segundos. Foi então que meus ouvidos finalmente se adaptaram ao ambiente e eu consegui ouvir pequenos ruídos. A primeiro instante eram apenas pequenos barulhos aleatórios, mas em uma fração de segundo eu consegui distinguir cada um deles. Eram os barulhos dos meus órgãos. Eu podia ouvir meu coração bater num ritmo acelerado, meu pulmão inflar e se esvaziar, pude ouvir ruídos que meu estômago fazia vez ou outra, e ouvi até mesmo o pulsar do sangue em minhas veias. Cada movimento que eu fazia eu podia ouvir o barulho que os ossos, tendões e músculos fazem quando se mexem. Era um silêncio ensurdecedor. A cada segundo que passava eu podia ouvir cada vez mais nitidamente os sons que ecoavam dentro de mim.
Eu tentei falar, mas minha voz era absorvida no mesmo instante que ela se propagava. Era como se meu pensamento e minha voz fossem a mesma coisa agora. Passaram-se alguns minutos e eu já não sabia o que fazer. Estava começando a alucinar, meu corpo se transformara numa fábrica barulhenta. O barulho do coração batendo agora parecia marretadas violentas dadas numa parede, o meu pulmão inflando e esvaziando se parecia com o barulho de uma bexiga gigante se enchendo, e o pulsar do meu sangue, agora parecia grandes correntes sendo arrastadas. O alto barulho dos meus órgãos se sincronizavam numa estranha sintonia, formando uma canção aterrorizante. Eu comecei a enxergar luzes coloridas em vários formatos, como se elas dançassem no ritmo que meus órgãos tocavam. Eu já não conseguia saber se estava viva. Eu morri na queda? Estou desmaiada? Isso não pode ser real.
Enquanto aqueles barulhos soavam como uma música, eu começava a me movimentar no ritmo da canção e cantarolava algo sem sentido. Algo dentro de mim dizia pra continuar a fazer aquilo, mas algo também dizia que era insanidade. Era a minha mente tentando achar algum significado para aquela sensação bizarra. Eu cantarolava cada vez mais alto e me movimentava cada vez mais.
Uma das figuras coloridas veio até mim e estendeu-me suas mãos. Era algo indefinido, sem rosto, apenas uma forma emanando luz. Eu dancei em volta daquilo sem tocá-la e as outras figuras se aproximavam cada vez mais. A canção fora ficando mais rápida e mais alta, e eu dançava freneticamente conforme a música, até que meus pés se entrelaçaram e eu cai debruçada no chão. As figuras foram ficando borradas e sem cor. Foi então que eu lembrei do que Corey me dissera. Para voltar apenas não exista. Minha mente estava alucinando para tentar compreender o que estava se passando, pois naquele escuridão e silêncio absoluto não havia como distinguir o que era vida ou morte, o que era real e o que era apenas fruto da minha imaginação. Eu me belisquei e não senti nada. Estava confirmado, minha mente entrara num estado de alucinação profunda. Eu estava sonhando acordada. As figuras desapareceram por completo e novamente eu só enxergava a escuridão e ouvia apenas meu corpo trabalhando.
Para sair é preciso que eu não exista.
Me deitei em posição fetal, coloquei minhas mãos sobre meus ouvidos,
para tentar não ouvir o barulho descontrolado que meu corpo fazia, e
fiquei ali inerte por longos minutos. As alucinações voltaram, mas eu
controlei. Minha mente precisava saber que não era preciso de ação. Eu
não queria estar viva. Volta e meia eu era surpreendida numa realidade
minha, onde eu estava deitada em casa normalmente como se nada tivesse
acontecido ou então eu estava sentada num campo olhando o céu. Mas então
eu acordava e voltava a tentar desligar minha mente. Foram várias
tentativas frustradas, sempre eu acabava caindo no sono ou imaginando
algum cenário. Quando acordei de uma dessas imaginações, eu percebi que
nessas realidades que minha mente criara, eu pude tocar, sentir e ouvir
as coisas ao meu redor, mesmo estando apenas deitada em algum lugar
aleatório no meio do nada. A realidade sou eu quem crio. A percepção do meu mundo é a minha mente que faz.
Então me dei conta do real significado do que Corey me dissera.
Imediatamente, sem hesitar, eu me imaginei no último lugar onde eu
conseguia enxergar e ouvir algo. Me concentrei bastante... e lá estava
eu. Meus olhos vidrados no brilho do poço. Eu pisquei abruptamente e
girei para trás.
Como se eu tivesse acordado de um sonho, toda minha visão periférica voltara, e o poço agora era apenas um buraco a um metro e cinquenta de mim. Corey me soltou enquanto verificava se eu estava bem. Eu me afastei e sai para o lado de fora das faixas que interditavam o poço. Enquanto eu deixava a escola, eu olhei para trás me lembrando daquela experiência estranha. Naquela época eu não havia entendido o porquê daquele lugar ser chamado de A Porta, pois eu procurei esquecer completamente o que acontecera aquele dia. Mas hoje eu entendo completamente o significado.
Desde aquele dia minha vida nunca mais fora a mesma, aquele poço era realmente uma porta. Uma porta na qual eu entrei e jamais sairei. A porta para outras realidades. De tempos em tempos eu adormeço e acabo acordando neste lugar. No lugar onde nada além de mim existe. O lugar onde eu descobri que não há uma realidade absoluta, mas sim, o que eu acreditar ser real será a minha realidade.
FIM.
Nota do autor: FALHA NA LEITURA é fruto de um devaneio de um ser humano comum.
Aqui você verá pequenas histórias de suspense - ou qualquer outra coisa que me vier a mente -, com continuações. A continuação da história estará disponível em dois dias no máximo, e se houver mais alguma continuação é assim por diante.
Comenta por favor. A sua opinião é o que nos fará continuar ou não.
Como se eu tivesse acordado de um sonho, toda minha visão periférica voltara, e o poço agora era apenas um buraco a um metro e cinquenta de mim. Corey me soltou enquanto verificava se eu estava bem. Eu me afastei e sai para o lado de fora das faixas que interditavam o poço. Enquanto eu deixava a escola, eu olhei para trás me lembrando daquela experiência estranha. Naquela época eu não havia entendido o porquê daquele lugar ser chamado de A Porta, pois eu procurei esquecer completamente o que acontecera aquele dia. Mas hoje eu entendo completamente o significado.
Desde aquele dia minha vida nunca mais fora a mesma, aquele poço era realmente uma porta. Uma porta na qual eu entrei e jamais sairei. A porta para outras realidades. De tempos em tempos eu adormeço e acabo acordando neste lugar. No lugar onde nada além de mim existe. O lugar onde eu descobri que não há uma realidade absoluta, mas sim, o que eu acreditar ser real será a minha realidade.
FIM.
Nota do autor: FALHA NA LEITURA é fruto de um devaneio de um ser humano comum.
Aqui você verá pequenas histórias de suspense - ou qualquer outra coisa que me vier a mente -, com continuações. A continuação da história estará disponível em dois dias no máximo, e se houver mais alguma continuação é assim por diante.
Comenta por favor. A sua opinião é o que nos fará continuar ou não.





;) continuem pessoal mt bom
ResponderExcluir;) continuem pessoal mt bom
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